CULTURA MATERIAL

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Até onde sabemos, somos a única espécie que fabrica “coisas” e lhes atribui nomes através de sistemas de linguagem e comunicação. Estes sistemas permitem usar diversos termos para uma mesma “coisa”. Mais complicado ainda quando estes diversos termos não definem o que e seja a “coisa”, mas permanecem apenas como um tipo de sinônimo de coisa. É assim que convivemos felizes com palavras e coisas como coisa, treco, tareco, bugiganga, tralha, bagulho, troço, etc. A classificação básica dos seres vivos é, em ordem decrescente: reino, filo, classe, ordem, família, gênero, e espécie. Em muitos casos, há tantas especializações que esta classificação não é suficiente. Por isso foram criadas algumas subdivisões dentro de ordem, classe, e espécie. No caso do grupo "classe", encontra-se a superclasse (que fica um grau acima da classe) e a infraclasse (que fica um grau abaixo da classe). Da mesma maneira ocorre com o grupo da ordem: existe a superordem e a infraordem. No grupo de espécies, encontra-se a subespécie.

Estando certos os pré-historiadores, arqueólogos e antropólogos, nós nos encaixamos na seguinte classificação taxonômica:

Reino: Animalia (o homem é um animal, e nesse grupo estão todos os animais).

Filo: Chordata (possui notocorda - formação da coluna vertebral - no seu desenvolvimento embrionário, e aqui estão todos os vertebrados).

Classe: Mammalia (seu filhos mamam, e nessa classe estão todos os mamíferos)

Infraclasse: Placentalia (é um mamífero cuja fêmea possui placenta - mamíferos que não possuem placenta pertencem a outra infraclasse)

Ordem: Primata

Família: Hominidae (dentro desse grupo estão as subfamílias Gorilla (gorilas), Pan (chimpanzés), Ardipithecus (extinto), Australopithecus (extinto) , Pierolapithecus (extinto), Sahelanthropus (extinto), Paranthropus (extinto), Kenyanthropus (extinto), Orrorin (extinto), Homininae (seres humanos).

Subfamília: Homininae

Gênero: Homo.

Espécie: Homo sapiens.

(fonte: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/biologia/taxonomia-como-funciona-o-sistema-de-classificacao-dos-seres-vivos.htm)

 

Esta classificação não nos difere de nenhum outro animal. O que nos diferencia então? Entre outras coisas, o fato de fazer “coisas”. Foram Leakey, Tobias e Napier (link abaixo) que, em 1964, publicaram o estudo que sedimentaria o que até então era intuído por muitos outros, o fato de que havia existido uma espécia há 2 milhões de anos que fabricava instrumentos de pedra. Era dado a conhecer então o Homo habilis. Foi a primeira classificação com base em um comportamento, e não em uma característica anatômica. Esta datação de 2 milhões de anos já foi empurrada para trás por pesquisas recentes. E hoje acredita-se que alguma espécie de primata Hominininae fabricou artefatos há 3 milhões de anos ou mais, na África. Desde então, estamos aqui, ocupando, disputando e explorando este planeta e seus recursos. E o fazemos majoritariamente, ou quase exclusivamente, através de artefatos.

 

Cultura material é um espaço virtual que se dedica a esta faceta da humanidade, a capacidade de produzir, significar, consumir e descartar “coisas”.

 

ARTUR BARCELOS

Possui graduação em bacharelado em história pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000), graduação em Licenciatura em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1995), mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1997) e doutorado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2005). Atualmente é professor da Universidade Federal do Rio Grande - FURG, Curso de Arqueologia, e do Programa de Pós-Graduação em História - Mestrado Profissional PPGH-FURG. Tem experiência na área de História, com ênfase em História da América, História da Região Platina e Patrimônio Histórico atuando principalmente nos seguintes temas: evangelização na América Colonial, Missões Jesuíticas, Geohistória, Cartografia Histórica, Espaço, Patrimônio, Arqueologia Histórica e Cultura Material.